ILHA TERCEIRA

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ILHA TERCEIRA

 

Quando se chega ao aeroporto das Lages uma óptima estrada recentemente inaugurada conduz-nos a Angra do Heroísmo, atravessando a ilha. Mas há que fazer um desvio, através de um caminho com uma guarnição pujante de hortênsias, e ir espreitar do alto da Serra do Cume aquela magnifica baixa de retalhos na rigorosa simetria de variados verdes, casa aqui casa acolá e algumas manadas de vacas minúsculas pela distância, na plácida dispersão que 1hes vão sugerindo as pastagens, ou na paciente espera de chegar a sua vez de serem mecanicamente ordenhadas; ressaltam alguns rectângulos mais viçosos de milho de intenso verde com o destino de ser ensilado para a forragem do Inverno. Este lugar da Serro do Cume até aos Cinco Picos dá já uma panorâmica geral da extensão e volumetria da ilha. Para além desta mostra de pujante fertilidade lá em baixo, vê-se, rasando o horizonte do mar, umas montanhas distantes que despertam a curiosidade. Do lado direito, impõe-se o alto morro verde escuro da Serra de Agualva, e torneando o caminho, já de costas para a tal vista, enxerga-se agora para lá de igual extensão de planura, a fita do asfalto do aeroporto das Lages.

A povoação de Lages, e a direita, toda a encaminhar-se para o mar, ao abraço do seu porto, a Vila da Praia da Vitoria. Lindo. Ao nosso alcance, demonstrando a evidente posição estratégica do local e a vulnerabilidade de Lages caso fosse tomada por inimigo, algumas casamatas e barracões meio abandonados dentro do perímetro militar, relembram-nos a importância da Terceira no desenrolar da Segunda Guerra Mundial; ao mesmo tempo, uma serie de radares modernos ali postados indicam-nos que a localização continua a ser ideal para uma atenção metódica e permanente a qualquer coisa a chegar ou a partir nomeadamente todos os aviões que chegam e partem da pista das Lages.

A caminho de Angra do Heroísmo por entre festivais de novelos de hortênsias, a caminho da Serra de Santa Barbara. A pequena Lagoa da Falca, timidamente escondida com os seus nenúfares e circundada por mata cerrada de criptomerias, merece bem uma paragem. E já se está em plena subida, e outra paragem obrigatória há que fazer-se. Á maravilhosa vista lá em baixo vamos buscar,  na planura rasa do mar, os arredores de Angra do Heroísmo, onde se destaca logo a silhueta da Igreja de S. Mateus; ao lado a das Cinco Ribeiras e São Bartolomeu, e para lá do mar, na distancia que torna tudo na indefinição cinzenta, acumulam-se as ilhas de São Jorge e do Pico numa só unidade compacta e inseparável. E de repente o Pico descobre-se. Já esta. E já se está no topo da Serra de Santa Bárbara, que é uma enorme caldeira vulcânica e é o ponto mais alto da ilha, quase 360 graus de panorâmica total, magnifica, flocos de neblina a brincarem ás escondidas connosco quando não nos deixam ver o detalhe que interessa. E as torres de radar lá estão, sempre á procura dos sítios mais altos. Descemos á povoação que deu o nome a Serra, Santa Barbara, toda debruada a branco resplandecente, por entre telhados de cor viva. Algumas casas também ostentam galhardamente a dupla chaminé, conhecida como «de mãos postas». Encantadora povoação com recantos de inspiração da estremadura saloia, mas ainda na verdade da lavoura braçal, que se surpreende na sua minúscula eira um homem de mangual em punho a descaroçar o milho naquele som cadenciado da pancada do pitego que já não se ouve desde a infância,

Mais ainda nos surpreende...

Ainda em Santa Bárbara quando, ao caminharmo-mos para o mar, encontramos junto a um cercado de milho uma capelinha em bucó1ica solidão, datada de 1672. Mas a precisar que lhe seja arrancado o azulejo lá posto. As  Doze Ribeiras, povoação seguinte, ao lado da Igreja paroquial, toda debruada a branco imaculado, vemos uma bonita casa solarenga, datada de 1696. Continuando, vamos ver na Serreta um belo conjunto de «burras», armações piramidais em madeira para secagem do milho. Mais há frente encontramos um vistoso e garrido império junto a sua inseparável dispensa. Mas mais exuberante é ainda a espessa mata da Serreta, ornada há entrada por espectacular fontanário onde um atlante emergindo de uma misula apoiada ao espaldar, sustém as patas de uma gigantesca pata... E chegamos há moderna Estalagem da Serreta que talvez há mingua de clientes, passou para a organização Patriarche.

Enfrente, sempre a dissolver-se em bruma, a ilha Graciosa. Na freguesia do Raminho dá na vista a igreja paroquial, de certa pomposidade, com a surpresa de ter uma pedra de armas no frontão, entre as duas torres. Sob as duas volutas em caracol, duas cartelas exibem as datas de 1858 e 1807. Perto, lá se vê a presença de outro império, com profusão de janelas para a passagem das bandeiras. A escola, bem aperaltada de palmeiras é daquelas que o Estado Novo, na época dos Centenários, espalhou por todo o arquipélago. E já estamos nos Biscoitos, com um interessante museu do vinho da família Brum, que também produz vinhos de excelente qualidade. É uma das estancias balneares da ilha, com casinhas aprazíveis e espectacular aglomeração de rochedos ligados por pontões de cimento, formando-se assim piscinas naturais e lagunas em recantos ideais para um mergulho no mar. Em rivalidade desses recantos encontramos mais a frente a povoação das Quatro Ribeiras, talvez ainda mais sofisticada na apresentação do cenário, pois até torre redonda de contemplação, com ampla escadaria de acesso, dispõe. A Igreja é de boa presença de cantaria e o Império de feição victoriana. Passa-se por Vila Nova, também servida de boa praia, e pela estrada as casas vão-se mostrando de uma feição particularmente  bonita

E chega-se á freguesia das  Lages, fornecida de casario bem apessoado e de bonita igreja, torre com remate piramidal revestido a azulejo, as três janelas do frontão e as laterais do portal ornadas de elegantes volutas. Lajes fica junto ao reduto onde se encontra o aeroporto internacional das Lages, de três pistas, sob o comando da Base Aérea n.  4, integrando-se a unidade á Força Aérea norte-americana. E a dois passos, a Praia da Vitoria, que foi, de 1456 a 1474, sede da capitania da Terceira no principio do povoamento. Dessa época ainda 1he asseguram o testemunho alguns preciosos monumentos, como a lindíssima Igreja Matriz, fundada pelo donatário flamengo Jácome de Bruges, sagrada, como nos assinala uma cartela, em 1517, com um soberbo portal gótico de gablete sobrepondo-se a quatro arquivoltas, oferecido por D. Manuel, rosácea primitiva, retábulos, imaginaria e o encanto da capela de Nossa Senhora do Rosário; o Forte de Santa Catarina, quinhentista, último baluarte da defesa da enseada e do porto; a Igreja do Senhor Santo Cristo também quinhentista mas reconstruída depois de um incêndio e os Paços do Concelho, na sua bela presença de vetusta cantaria e alpendre de entrada com duplo acesso de escadaria, relembrando uma lápide ali aposta em 1960 (ano do Infante) os nomes de Diogo de Teive, Álvaro Martins Homem e Pêro de Barcelos «que aqui povoaram e daqui abriram á Europa os mares do Oeste». A Praia da Vitoria, para além de outros edifícios de boa índole a atestar-1he a nobreza e a história, dispõe de um excelente porto de mar, de uma praia extensa e apetecível e de piscinas naturais. Deixando a cidade da Praia da Vitoria em breve nos aproximamos da povoação das Fontinhas, longo burgo a percorrer de belas casas, antes de se chegar a São Sebastião, outro marco do primitivo povoamento, orgulhosamente certificado pela presença gótica da Igreja de S. Sebastião. Igreja de aspecto característico na linha das igrejas quatrocentistas da província portuguesa, salvando-se da cal a cantaria, elevando-se ao centro o frontal para suportar a rosácea, e portal em ogiva de quatro arquivoltas. No interior capelas com abobodas de nervuras em cruzaria de ogivas, boa pintura e estatuária, e interessantíssimos frescos góticos, únicos nos Açores, ilustrando Santa Barbara, S. Martinho e Santa Maria Madalena. Mas a povoação ainda e mais vaidosa de outra capela, a singela Ermida de Santa Ana, pois é tida como a mais antiga construída na ilha. Perto, sobre a ribeira de S. Sebastião, integradas no encanto de paisagem perdida no tempo, velhas azenhas em desuso atestam a perdida soberania da ilha como grande fornecedora do trigo das praças portuguesas de Marrocos. E chega-se há Ribeirinha, ponto final desta viagem de circunvalação, ufana dos seus quatro impérios do Espirito Santo, da cantaria na fachada da Igreja de S. Pedro, da venerada imagem quinhentista e do Senhor Santo Cristo.

A vistas é sempre da estupenda panorâmica que já se usufrui sobre Angra do Heroísmo e o Monte Brasil.

Angra do Heroísmo está apenas a 13 km.

Mudando de rumo e voltando para o centro da ilha 

chega-se  ás imediações do Pico do Carvão (639 m) estamos tão vazios de casas, das ruminantes vaquinhas e de qualquer manifestação humana que nos sentimos embrenhados em qualquer filme de ficção cientifica, tal e o estranho ambiente encenado por aquele terreno rugoso de pedra-pomes e pela vegetação rala e excêntrica que nos envolve. Chegamos então a uma impressionante depressão de terreno, onde uma modesta entrada a maneira de metropolitano reduzido, logo nos incita a descer. Um túnel estreito conduz-nos em longo percurso ás entranhas da nossa curiosidade, e eis-nos de repente no interior de uma garganta gigantesca, a bocarra lá em cima escancarada ao céu aberto e cinzento, fetos arbóreos e         plantas bizarras a empurrarem-nos, quais papilas digestivas, para o interior daquele imenso intestino telúrico, directos ao centro da terra. Em contraste com o ar pesado e húmido do exterior, um frio seco obriga-nos a apertar a camisola e, até ao fim da exploração, vamos recebendo sempre da penedia cinzenta-ferrea constantes pingos de arrepiar, tal suor frio exsudando-se ainda das franjas das estalactites, pelo grande esforço do colossal vomito das lavas, vai para dois mil anos. Faço ideia que pequenos e vulneráveis se terão sentido e primeiros exploradores que, descidos a corda, e há muitos anos, se aventuraram pela primeira vez aquele abismo de trevas e de mistério. Agora, sob a égide da associação "Os Montanheiros", apoiados em boa escadaria cimentada e corrimão firme, e iluminados pela serie de encantamento que nos faculta a instalação eléctrica, mesmo assim sentimo-nos inseguros e inquietos perante a ameaçadora espectaculosidade daquele vulcão extinto, e talvez para sempre amansado, pois nem tugiu nem mugiu no trágico sismo de 1980. E um local em que se respira respeito, curiosidade e fascínio, experiência impar de nos sentirmos no interior de uma cratera que expeliu lavas vindas de grande profundidade, transbordando-se para norte ate 7 km (Fontinhas) e para sul, entornando-se na costa, nas imediações onde e hoje Feteira, a 9 km de distancia. Vamos descendo, sempre em plena admiração, olhos pespegados na bizarraria das estalactites pingonas, nos requebros de sílica branca, no fulgor aqui e ali pressentido nos resquícios de obsidiana negra. E sempre em furtivos olhares por cima de alguém apercebido nas escadarias distantes, constatarmos a proporção de escala daquele poço imenso, que a profundidade de 90 m, enfim, nos faz chegar ao terminal de sonho, laguna rodeada de pequenas grutas e anquilosidades e formada pelas águas da chuva e pelos pingos gélidos das infiltrações, em 15 metros de fundo e com a cristal a oferecer. É um passeio tal que nunca mais abandonara a memória.

  

HISTORIA

Em data que ainda não foi possível determinar, mas anterior a 1439, as caravelas do Infante encontraram uma «terceira Ilha», talvez descoberta a 25 de Dezembro, pois logo foi chamada ilha de Jesus Cristo. Ficou alguns anos despovoada e só a partir de Março de 1450 uma carta de capitania foi concedida em Silves a Jacome de Bruges, flamengo. Que casara com Ines Gonçalves e estava estabelecido há mais de 20 anos no Porto. Vieram também povoadores de Guimarães, Aveiro, Lagos, Porto e da Madeira. A primeira povoação estabelecida na Terceira foi Santana de Portalegre. Em 1474 Jacome de Bruges desapareceu misteriosamente e a ilha foi dividida em duas capitanias, atribuídas a João Vaz Corte Real (Angra) e Álvaro Martins Homem (Praia). As sesmarias concedidas então provocaram grande desenvolvimento económico, pelas actividades de agricultura, comercio e criação de gado, aplicando-se a população a obras de construção civil, religiosa e militar. Em 1498 é fundada a Misericórdia de Angra paralelamente á de Lisboa; a vila de Angra e elevada a cidade por carta regia de D. João III, de 1534, tendo sido no mesmo ano criado o bispado de Angra e Ilhas dos Açores, pelo Papa Paulo III. Ainda na era de quatrocentos surgem dois conventos de Franciscanos, um em Angra e outro na Praia que foram importantes pólos de cultura, rivalizando com o esplendor atingido, mais tarde, pelo Colégio dos Jesuítas em Angra. Angra foi antigamente a mais importante cidade do Arquipélago, tendo sido sede da Capitania Geral dos Açores, do governo político, civil e militar dos Açores, por decreto do Marquês de Pombal, de 1766, e teve intenso movimento marítimo porque se enquadrava como entreposto no circuito da rota das Índias. Foi sede do governo geral do País na crise de 1580 a 1583 (tendo apoiado a causa de D. António) e da Junta Provisória de 1828 a 1829, aquando das lutas liberais, tendo a ilha desempenhado nesse tempo papel fundamental. Em 1829 houve uma tentativa de desembarque de absolutistas na vila da Praia que foi gorada, tendo sido essa resistência premiada, passando a vila a chamar-se Praia da Vitoria. E em 15 de Março de 1832 Angra passou a ser a capital do reino; (sendo o Portugal independeste então só e apenas aqui nesta ilha) e pela abnegação e dedicação demonstradas a causa liberal, ficou a chamar-se Angra do Heroísmo.

 

 

Angra do Heroísmo. E talvez a mais bela cidade de todo o Arquipélago e a vista panorâmica que se obtém do Monte Brasil, autentico bastião de sentinela da cidade, é deslumbrante, toda a cidade em extensão imensa e circundante, parecendo escorregar em brando declive em direcção á baía, e ao abraço daquele mar tranquilo e de maravilhoso azul, a custo sustida nesse desejo pelo murete da estreita marginal que 1he contorna a periferia. E mais além, bem dentro do mar e como se nada daquela beleza fosse com ele, o intruso e escalvado ilhéu das Cabras. Foi notável a determinação e heróica tenacidade dos angrenses na reconstrução da cidade depois do terrível sismo de 1 de Janeiro de 1980, tendo sido premiada tão abnegada atitude, não só por Angra ter sido considerada pela UNESCO em 1983 «Património Histórico Mundial», como pelo facto de se ter alindado ainda mais, com a louvável decisão de serem os pisos térreos, ocupados por lojas que os descaracterizavam, repostos na traça original, sem que para isso tenham perdido comercialmente, já que as montras passaram a ser interiores, com mais espaço. Angra e uma cidade de caracter senhorial e de grande nobreza e embora o seu traçado urbanístico remonte ao século XVI, o aglomerado é bem delineado e de agradável circulação, com dois eixos principais, a Rua de Lisboa e a Rua da Se, aquela em suave inclinação até atingir a Praça da Restauração, onde se situam os Paços do Concelho, esta na perpendicular, passando pela Sé, e dando saída para os arredores a Oeste. Monte Brasil. Monte singular de origem vulcânica ligado por istmo á ilha, revelou-se através da historia uma autentica guarda avançada, tendo sido o castelo de S. João Baptista um formidável bastião de defesa, organizado em verdadeira cidadela, e classificada em 1863 como fortaleza de 1ª  classe. São magnificas as suas muralhas, hoje apenas simbólicas, mas imbuindo a cidade de um marco histórico insuperável. Iluminadas á noite são lindíssimas, aureoladas até por uma certa mística já que são inacessíveis, pois o acesso ao Monte Brasil fica interdito pelas nove horas, fechando os portões o quartel de artilharia ali aquartelado. O castelo chamou-se primitivamente de Santo António; no tempo dos Filipes foi remodelado e ampliado e tomou o nome de S. Filipe, tendo sido este forte a maior construção militar feita por Espanha fora do território Peninsular, mais tarde foi recuperado com a Restauração, e foi finalmente designado por S. João Baptista. O pórtico principal, todo em cantaria de basalto e ostentando as armas reais, a ponte dos arcos, os torreões, o intricado sistema de fossos em quadrículas e as poderosas muralhas impõem-no como uma das mais importantes fortalezas portuguesas dos séculos XVI e XVII. Num largo terreiro encontra-se, sobressaindo de varias construções entre as quais se encontra o Palácio dos Governadores do Castelo, a Igreja de S. João Baptista, de duas torres, bem servida de cantaria basaltica, toda ela a honrar nas molduras das quatro janelas do nicho e do portal que o circundam, o brasão real das quinas. O Monte Brasil é densamente arborizado com bosques e locais aprazíveis para piqueniques o lado sudoeste é mais agreste, com vegetação endémica e os vestígios de uma Caldeira, a Cratera de onde o Monte Brasil nasceu. Algumas peças obsoletas de artilharia coroam um dos vários montes que formam o monte Brasil, onde, no topo, o Pico das Cruzinhas, se encontra um padrão comemorativo da descoberta dos Açores e dos Centenários. No Monte Brasil estiveram encarcerados D. Afonso VI, deposto pelo irmão D. Pedro (1669 a 1674), e o régulo Gungunhana, rei dos vatuas de Moçambique, que ali acabou por morrer no principio do século.

A Sé Catedral. Foi reedificada em aumento da antiga Igreja de S. Salvador de 1486, por mandato do Cardeal D. Henrique em 1570. Com acesso por ampla escadaria, o frontiscipio e imponente, embora simples, com duas torres cobertas de azulejos nos coruchéus. Três portadas dão acesso ao interior, de três naves e tecto esculpido em cedro. A capela-mor é de abobada, sustida por colunas jonicas. Do lado direito a rica capela do Santíssimo Sacramento, á esquerda a de S. Pedro, Santo Cristo e Nossa Senhora do Rosário. O Órgão foi oferecido pela Rainha D. Maria I. Tem um rico recheio de azulejaria, imaginaria, e alfaias em prata do século XVII. Uma Sacristia com moveis de jacarandá e alfaias em ouro. Uma galeria de pintura dos prelados.

O Palácio dos Capitaes-Generais. Antigo e imponente colégio dos Jesuítas, mandado fundar por D. Sebastião em 1569, foi adaptado a residência dos capitaes-generais a partir da expulsão dos jesuítas por Pombal. Tem um valioso recheio de mobiliário, pinturas e peças de arte. A sala com os retratos dos Braganças e até D. Maria II. A Igreja do Colégio, em fachada de grande imponência, tem sumptuosos retábulos em talha e em pedra dourada. Boa imaginaria e pintura do século XVII. Notável colecção de azulejos de Delft.

O Convento e Igreja de S. Francisco (ou de Nossa Senhora da Guia), é uma belíssima igreja, toda paramentada de tarjas de cor de brique, é hoje o Museu de Angra com colecções de armaria, imaginaria (com desta- que para os retábulos quinhentistas de Santa Catarina), mobiliário, faiança, porcelana, pintura, numismática, instrumentos musicais e vasto espolio etnográfico. Na Igreja anexa de Nossa senhora da Guia, setecentista, ainda se podem ver restos do antigo esplendor como retábulos em talha dourada, painéis de azulejos, imaginaria, tecto em talha dourada, arcaz paramenteiro em jacarandá, fonte em pedra trabalhada. Esta igreja foi o local da sepultura de Paulo da Gama, ali enterrado na viagem de regresso da Índia de Vasco da Gama, em 1499. A Igreja da Miseric6rdia. De grande imponência é de construção setecentista, tendo sofrido alterações no século XIX. Interior de três naves. Tem boa imaginaria e apurado trabalho de talha nos altares. Igreja situa-se sobranceira a um pequeno cais de cantaria, o cais da Alfândega, de onde ascendem duas escadas de pedra que conduzem ao largo da Misericórdia, e ao caminho de acesso ao Porto das Pipas.

O Alto da Memória. Obelisco piramidal amarelo e branco recordando a presença de D. Pedro IV na cidade de Angra e comemorando a vitoria constitucional, erguido no local do antigo castelo dos Moinhos de Angra, o castelo de S. Cristóvão (século XV-XVI). Oferece uma soberba panorâmica sobre a cidade.

Castelo de S. Sebastião. Alcantilado sobre o Porto de Pipas, foi mandado construir por D. Sebastião. Tem lindos locais de mistério e encanto que se nos oferecem nas suas catacumbas e passagem subterranias.

 Paços do Concelho. Ao fim da antiga rua Direita, e da sé está a Praça Velha ou da Restauração, onde se encontra com imponência o Palácio da Câmara Municipal, construído sobre o antigo seiscentista no século passado, tendo sido a primeira pedra lançada em 11 de Agosto de 1849. No alto da fachada o brasão da cidade e uma figura, a angra, símbolo da cidade. Salão nobre amplo e elegantemente decorado.   Conserva a primeira bandeira azul e branca da monarquia, bordada pela rainha

D. Maria II.

A  Igreja de Nossa Senhora da Conceição. De traça seiscentista, ostenta feição barroca na fachada e no interior tem apreciáveis trabalhos em talha dourada. Na sacristia mobiliário da época em pau santo.

A Igreja de S. Gonçalo. Construída no século XVII, tem valioso recheio de imaginaria e retábulos em talha dourada nos altares. Azulejos de padrão e pintura da época. Um Magnifico claustro.

O Palácio Bettencourt. Edifício seiscentista de grande e elegante fachada, com salas de tectos requintadamente trabalhados em madeira de cedro, foi da família Bettencourt Correia e Ávila. E hoje a Biblioteca Publica e o Arquivo Municipal de Angra, reunindo 400 000 livros e dois milhões de manuscritos.

O Palácio da Madre de Deus. Implantado em terreiro de ampla vista sobre a cidade, e um dos mais belos edifícios solarengos de Angra, e foi em tempos a Casa do Morgado Vital de Bettencourt Vasconcelos e Lemos. Nele funciona o departamento do Secretariado e a Casa da Recepção do Ministro da Republica para os Açores.

 

Os Solares e Palácios. São em grande numero as casas senhoriais na cidade, algumas ainda com os seus antigos graneis que eram edifícios anexos geralmente situado nas traseiras, para recolha dos cereais das respectivas granjas, quintas ou propriedades. De referenciar os solares dos Corte-Real, dos Canto, dos Sieuve de Menezes, dos Forjaz. dos Silveira, dos Bettencourt.

 

Á saída da Angra fica a Silveira  Magnifica enseada sobre o mar, bem apetrechada de pontões e de pranchas de mergulho, constitui, á saída da cidade, um dos locais mais aprazíveis para banhos de mar. S. Carlos e S. Pedro. São os bairros mais sofisticados e aristocráticos da ilha, no termo da cidade de Angra e a partir de Silveira. Lindas casas, bonitas e senhoriais em todos os estilos, sombreados por frondosas quintas, vão surgindo em impressionante sucessão de opulência discreta e recatada, verdadeiro paradigma e sinónimo da nobreza da ilha.

S. Mateus da Calheta. Encantador porto piscatório, e a primeira freguesia a que se chega, saídos de Angra em demanda do oeste. A Igreja de S. Mateus. Sobranceira á baia, é de imponente estrutura e de construção recente (séculos XIX-XX), embora inclua as imagens de São Mateus e de Nossa Senhora, executadas pelos Mestres da Sé de Angra (século XVII).

A Ermida de Nossa Senhora da Luz. De modesta frontaria possui porem uma imagem flamenga da Virgem com o Menino, de grande interesse.

O Forte Grande e Forte do Negrito. São fortificações quinhentistas que ficaram da resistência há invasão espanhola, traçados de agradável presença impostos em enseadas dóceis. O Forte do Negrito é hoje uma estancia balnear de grande qualidade.

As Cinco Ribeiras com o seu casario branco a honrar a descida para a encantadora enseada é outro concorrido local para banhos de mar, com os rochedos saindo da água interligados por pontões de cimento oferece uma vista de selvagem beleza.