ILHA TERCEIRA
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ILHA TERCEIRA
Quando se chega ao
aeroporto das Lages uma óptima estrada recentemente inaugurada conduz-nos a Angra do
Heroísmo, atravessando a ilha. Mas há que fazer um desvio, através de um caminho com
uma guarnição pujante de hortênsias, e ir espreitar do alto da Serra do Cume aquela
magnifica baixa de retalhos na rigorosa simetria de variados verdes, casa aqui casa acolá
e algumas manadas de vacas minúsculas pela distância, na plácida dispersão que 1hes
vão sugerindo as pastagens, ou na paciente espera de chegar a sua vez de serem
mecanicamente ordenhadas; ressaltam alguns rectângulos mais viçosos de milho de intenso
verde com o destino de ser ensilado para a forragem do Inverno. Este lugar da Serro do
Cume até aos Cinco Picos dá já uma panorâmica geral da extensão e volumetria da ilha.
Para além desta mostra de pujante fertilidade lá em baixo, vê-se, rasando o horizonte
do mar, umas montanhas distantes que despertam a curiosidade. Do lado direito, impõe-se o
alto morro verde escuro da Serra de Agualva, e torneando o caminho, já de costas para a
tal vista, enxerga-se agora para lá de igual extensão de planura, a fita do asfalto do
aeroporto das Lages.
A povoação de Lages, e a
direita, toda a encaminhar-se para o mar, ao abraço do seu porto, a Vila da Praia da
Vitoria. Lindo. Ao nosso alcance, demonstrando a evidente posição estratégica do local
e a vulnerabilidade de Lages caso fosse tomada por inimigo, algumas casamatas e barracões
meio abandonados dentro do perímetro militar, relembram-nos a importância da Terceira no
desenrolar da Segunda Guerra Mundial; ao mesmo tempo, uma serie de radares modernos ali
postados indicam-nos
que a localização continua a ser ideal para uma atenção metódica e permanente a
qualquer coisa a chegar ou a partir nomeadamente todos os aviões que chegam e partem da
pista das Lages.
A
caminho de Angra do Heroísmo por entre festivais de novelos de hortênsias, a caminho da
Serra de Santa Barbara. A pequena Lagoa da Falca, timidamente escondida com os seus
nenúfares e circundada por mata cerrada de criptomerias, merece bem uma paragem. E já se
está em plena subida, e outra paragem obrigatória há que fazer-se. Á maravilhosa vista
lá em baixo vamos buscar, na planura rasa do
mar, os arredores de Angra do Heroísmo, onde se destaca logo a silhueta da Igreja de S.
Mateus; ao lado a das Cinco Ribeiras e São Bartolomeu, e para lá do mar, na distancia
que torna tudo na indefinição cinzenta, acumulam-se as ilhas de São Jorge e do Pico
numa só unidade compacta e inseparável. E de repente o Pico descobre-se. Já esta. E já
se está no topo da Serra de Santa Bárbara, que é uma enorme caldeira vulcânica e é o
ponto mais alto da ilha, quase 360 graus de panorâmica total, magnifica, flocos de
neblina a brincarem ás escondidas connosco quando não nos deixam ver o detalhe que
interessa. E as torres de radar lá estão, sempre á procura dos sítios mais
altos. Descemos á povoação que deu o nome a Serra, Santa Barbara, toda debruada a
branco resplandecente, por entre telhados de cor viva. Algumas casas também ostentam
galhardamente a dupla chaminé, conhecida como «de mãos postas». Encantadora povoação
com recantos de inspiração da estremadura saloia, mas ainda na verdade da lavoura
braçal, que se surpreende na sua minúscula eira um homem de mangual em punho a
descaroçar o milho naquele som cadenciado da pancada do pitego que já não se ouve desde
a infância,
Mais
ainda nos surpreende...
Ainda
em Santa Bárbara quando, ao caminharmo-mos para o mar, encontramos junto a um cercado de
milho uma capelinha em bucó1ica solidão, datada de 1672. Mas a precisar que lhe seja
arrancado o azulejo lá posto. As Doze
Ribeiras, povoação seguinte, ao lado da Igreja paroquial, toda debruada a branco
imaculado, vemos uma bonita casa solarenga, datada de 1696. Continuando, vamos ver na
Serreta um belo conjunto de «burras», armações piramidais em madeira para secagem do
milho. Mais há frente encontramos um vistoso e garrido império junto a sua inseparável
dispensa. Mas mais exuberante é ainda a espessa mata da Serreta, ornada há entrada por
espectacular fontanário onde um atlante emergindo de uma misula apoiada ao espaldar,
sustém as patas de uma gigantesca pata... E chegamos há moderna Estalagem da Serreta que
talvez há mingua de clientes, passou para a organização Patriarche.
Enfrente,
sempre a dissolver-se em bruma, a ilha Graciosa. Na freguesia do Raminho dá na vista a
igreja paroquial, de certa pomposidade, com a surpresa de ter uma pedra de armas no
frontão, entre as duas torres. Sob as duas volutas em caracol, duas cartelas exibem as
datas de 1858 e 1807. Perto, lá se vê a presença de outro império, com profusão de
janelas para a passagem das bandeiras. A escola, bem aperaltada de palmeiras é daquelas
que o Estado Novo, na época dos Centenários, espalhou por todo o arquipélago. E já
estamos nos Biscoitos, com um interessante museu do vinho da família Brum, que também
produz vinhos de excelente qualidade. É uma das estancias balneares da ilha, com casinhas
aprazíveis e espectacular aglomeração de rochedos ligados por pontões de cimento,
formando-se assim piscinas naturais e lagunas em recantos ideais para um mergulho no mar.
Em rivalidade desses recantos encontramos mais a frente a povoação das Quatro Ribeiras,
talvez ainda mais sofisticada na apresentação do cenário, pois até torre redonda de
contemplação, com ampla escadaria de acesso, dispõe. A Igreja é de boa presença de
cantaria e o Império de feição victoriana. Passa-se por Vila Nova, também servida de
boa praia, e pela estrada as casas vão-se mostrando de uma feição particularmente bonita
E
chega-se á freguesia das Lages, fornecida de
casario bem apessoado e de bonita igreja, torre com remate piramidal revestido a azulejo,
as três janelas do frontão e as laterais do portal ornadas de elegantes volutas. Lajes
fica junto ao reduto onde se encontra o aeroporto internacional das Lages, de três
pistas, sob o comando da Base Aérea n. 4,
integrando-se a unidade á Força Aérea norte-americana. E a dois passos, a Praia da
Vitoria, que foi, de 1456 a 1474, sede da capitania da Terceira no principio do
povoamento. Dessa época ainda 1he asseguram o testemunho alguns preciosos monumentos,
como a lindíssima Igreja Matriz, fundada pelo donatário flamengo Jácome de Bruges,
sagrada, como nos assinala uma cartela, em 1517, com um soberbo portal gótico de gablete
sobrepondo-se a quatro arquivoltas, oferecido por D. Manuel, rosácea primitiva,
retábulos, imaginaria e o encanto da capela de Nossa Senhora do Rosário; o Forte de
Santa Catarina, quinhentista, último baluarte da defesa da enseada e do porto; a Igreja
do Senhor Santo Cristo também quinhentista mas reconstruída depois de um incêndio e os
Paços do Concelho, na sua bela presença de vetusta cantaria e alpendre de entrada com
duplo acesso de escadaria, relembrando uma lápide ali aposta em 1960 (ano do Infante) os
nomes de Diogo de Teive, Álvaro Martins Homem e Pêro de Barcelos «que aqui povoaram
e daqui abriram á Europa os mares do Oeste». A Praia da Vitoria, para além de
outros edifícios de boa índole a atestar-1he a nobreza e a história, dispõe de um
excelente porto de mar, de uma praia extensa e apetecível e de piscinas naturais.
Deixando a cidade da Praia da Vitoria em breve nos aproximamos da povoação das
Fontinhas, longo burgo a percorrer de belas casas, antes de se chegar a São Sebastião,
outro marco do primitivo povoamento, orgulhosamente certificado pela presença gótica da
Igreja de S. Sebastião. Igreja de aspecto característico na linha das igrejas
quatrocentistas da província portuguesa, salvando-se da cal a cantaria, elevando-se ao
centro o frontal para suportar a rosácea, e portal em ogiva de quatro arquivoltas. No
interior capelas com abobodas de nervuras em cruzaria de ogivas, boa pintura e
estatuária, e interessantíssimos frescos góticos, únicos nos Açores, ilustrando Santa
Barbara, S. Martinho e Santa Maria Madalena. Mas a povoação ainda e mais vaidosa de
outra capela, a singela Ermida de Santa Ana, pois é tida como a mais antiga construída
na ilha. Perto, sobre a ribeira de S. Sebastião, integradas no encanto de paisagem
perdida no tempo, velhas azenhas em desuso atestam a perdida soberania da ilha como grande
fornecedora do trigo das praças portuguesas de Marrocos. E chega-se há Ribeirinha, ponto
final desta viagem de circunvalação, ufana dos seus quatro impérios do Espirito Santo,
da cantaria na fachada da Igreja de S. Pedro, da venerada imagem quinhentista e do Senhor
Santo Cristo.
A
vistas é sempre da estupenda panorâmica que já se usufrui sobre Angra do Heroísmo e o
Monte Brasil.
Angra
do Heroísmo está apenas a 13 km.
Mudando
de rumo e voltando para o centro da ilha
chega-se ás imediações do Pico do Carvão (639 m)
estamos tão vazios de casas, das ruminantes vaquinhas e de qualquer manifestação humana
que nos sentimos embrenhados em qualquer filme de ficção cientifica, tal e o estranho
ambiente encenado por aquele terreno rugoso de pedra-pomes e pela vegetação rala e
excêntrica que nos envolve. Chegamos então a uma impressionante depressão de terreno,
onde uma modesta entrada a maneira de metropolitano reduzido, logo nos incita a descer. Um
túnel estreito conduz-nos em longo percurso ás entranhas da nossa curiosidade, e eis-nos
de repente no interior de uma garganta gigantesca, a bocarra lá em cima escancarada ao
céu aberto e cinzento, fetos arbóreos e
plantas bizarras a empurrarem-nos, quais papilas digestivas, para o interior
daquele imenso intestino telúrico, directos ao centro da terra. Em contraste com o ar
pesado e húmido do exterior, um frio seco obriga-nos a apertar a camisola e, até ao fim
da exploração, vamos recebendo sempre da penedia cinzenta-ferrea constantes pingos de
arrepiar, tal suor frio exsudando-se ainda das franjas das estalactites, pelo grande
esforço do colossal vomito das lavas, vai para dois mil anos. Faço ideia que pequenos e
vulneráveis se terão sentido e primeiros exploradores que, descidos a corda, e há
muitos anos, se aventuraram pela primeira vez aquele abismo de trevas e de mistério.
Agora, sob a égide da associação "Os Montanheiros", apoiados em boa
escadaria cimentada e corrimão firme, e iluminados pela serie de encantamento que nos
faculta a instalação eléctrica, mesmo assim sentimo-nos inseguros e inquietos perante a
ameaçadora espectaculosidade daquele vulcão extinto, e talvez para sempre amansado, pois
nem tugiu nem mugiu no trágico sismo de 1980. E um local em que se respira respeito,
curiosidade e fascínio, experiência impar de nos sentirmos no interior de uma cratera
que expeliu lavas vindas de grande profundidade, transbordando-se para norte ate 7 km
(Fontinhas) e para sul, entornando-se na costa, nas imediações onde e hoje Feteira, a 9
km de distancia. Vamos descendo, sempre em plena admiração, olhos pespegados na
bizarraria das estalactites pingonas, nos requebros de sílica branca, no fulgor aqui e
ali pressentido nos resquícios de obsidiana negra. E sempre em furtivos olhares por cima
de alguém apercebido nas escadarias distantes, constatarmos a proporção de escala
daquele poço imenso, que a profundidade de 90 m, enfim, nos faz chegar ao terminal de
sonho, laguna rodeada de pequenas grutas e anquilosidades e formada pelas águas da chuva
e pelos pingos gélidos das infiltrações, em 15 metros de fundo e com a cristal a
oferecer. É um passeio tal que nunca mais abandonara a memória.
HISTORIA
Em
data que ainda não foi possível determinar, mas anterior a 1439, as caravelas do Infante
encontraram uma «terceira Ilha», talvez descoberta a 25 de Dezembro, pois logo foi
chamada ilha de Jesus Cristo. Ficou alguns anos despovoada e só a partir de Março de
1450 uma carta de capitania foi concedida em Silves a Jacome de Bruges, flamengo. Que
casara com Ines Gonçalves e estava estabelecido há mais de 20 anos no Porto. Vieram
também povoadores de Guimarães, Aveiro, Lagos, Porto e da Madeira. A primeira povoação
estabelecida na Terceira foi Santana de Portalegre. Em 1474 Jacome de Bruges desapareceu
misteriosamente e a ilha foi dividida em duas capitanias, atribuídas a João Vaz Corte
Real (Angra) e Álvaro Martins Homem (Praia). As sesmarias concedidas então provocaram
grande desenvolvimento económico, pelas actividades de agricultura, comercio e criação
de gado, aplicando-se a população a obras de construção civil, religiosa e militar. Em
1498 é fundada a Misericórdia de Angra paralelamente á de Lisboa; a vila de Angra e
elevada a cidade por carta regia de D. João III, de 1534, tendo sido no mesmo ano criado
o bispado de Angra e Ilhas dos Açores, pelo Papa Paulo III. Ainda na era de quatrocentos
surgem dois conventos de Franciscanos, um em Angra e outro na Praia que foram importantes
pólos de cultura, rivalizando com o esplendor atingido, mais tarde, pelo Colégio dos
Jesuítas em Angra. Angra foi antigamente a mais importante cidade do Arquipélago, tendo
sido sede da Capitania Geral dos Açores, do governo político, civil e militar dos
Açores, por decreto do Marquês de Pombal, de 1766, e teve intenso movimento marítimo
porque se enquadrava como entreposto no circuito da rota das Índias. Foi sede do governo
geral do País na crise de 1580 a 1583 (tendo apoiado a causa de D. António) e da Junta
Provisória de 1828 a 1829, aquando das lutas liberais, tendo a ilha desempenhado nesse
tempo papel fundamental. Em 1829 houve uma tentativa de desembarque de absolutistas na
vila da Praia que foi gorada, tendo sido essa resistência premiada, passando a vila a
chamar-se Praia da Vitoria. E em 15 de Março de 1832 Angra passou a ser a capital do
reino; (sendo o Portugal independeste então só e apenas aqui nesta ilha) e pela
abnegação e dedicação demonstradas a causa liberal, ficou a chamar-se Angra do
Heroísmo.
Angra
do Heroísmo. E talvez a mais bela cidade de todo o Arquipélago e a vista panorâmica que
se obtém do Monte Brasil, autentico bastião de sentinela da cidade, é deslumbrante,
toda a cidade em extensão imensa e circundante, parecendo escorregar em brando declive em
direcção á baía, e ao abraço daquele mar tranquilo e de maravilhoso azul, a custo
sustida nesse desejo pelo murete da estreita marginal que 1he contorna a periferia. E mais
além, bem dentro do mar e como se nada daquela beleza fosse com ele, o intruso e
escalvado ilhéu das Cabras. Foi notável a determinação e heróica tenacidade dos
angrenses na reconstrução da cidade depois do terrível sismo de 1 de Janeiro de 1980,
tendo sido premiada tão abnegada atitude, não só por Angra ter sido considerada pela
UNESCO em 1983 «Património Histórico Mundial», como pelo facto de se ter
alindado ainda mais, com a louvável decisão de serem os pisos térreos, ocupados por
lojas que os descaracterizavam, repostos na traça original, sem que para isso tenham
perdido comercialmente, já que as montras passaram a ser interiores, com mais espaço.
Angra e uma cidade de caracter senhorial e de grande nobreza e embora o seu traçado
urbanístico remonte ao século XVI, o aglomerado é bem delineado e de agradável
circulação, com dois eixos principais, a Rua de Lisboa e a Rua da Se, aquela em suave
inclinação até atingir a Praça da Restauração, onde se situam os Paços do Concelho,
esta na perpendicular, passando pela Sé, e dando saída para os arredores a Oeste. Monte
Brasil. Monte singular de origem vulcânica ligado por istmo á ilha, revelou-se através
da historia uma autentica guarda avançada, tendo sido o castelo de S. João Baptista um
formidável bastião de defesa, organizado em verdadeira cidadela, e classificada em 1863
como fortaleza de 1ª classe. São magnificas
as suas muralhas, hoje apenas simbólicas, mas imbuindo a cidade de um marco histórico
insuperável. Iluminadas á noite são lindíssimas, aureoladas até por uma certa
mística já que são inacessíveis, pois o acesso ao Monte Brasil fica interdito pelas
nove horas, fechando os portões o quartel de artilharia ali aquartelado. O castelo
chamou-se primitivamente de Santo António; no tempo dos Filipes foi remodelado e ampliado
e tomou o nome de S. Filipe, tendo sido este forte a maior construção militar feita por
Espanha fora do território Peninsular, mais tarde foi recuperado com a Restauração, e
foi finalmente designado por S. João Baptista. O pórtico principal, todo em cantaria de
basalto e ostentando as armas reais, a ponte dos arcos, os torreões, o intricado sistema
de fossos em quadrículas e as poderosas muralhas impõem-no como uma das mais importantes
fortalezas portuguesas dos séculos XVI e XVII. Num largo terreiro encontra-se,
sobressaindo de varias construções entre as quais se encontra o Palácio dos
Governadores do Castelo, a Igreja de S. João Baptista, de duas torres, bem servida de
cantaria basaltica, toda ela a honrar nas molduras das quatro janelas do nicho e do portal
que o circundam, o brasão real das quinas. O Monte Brasil é densamente arborizado com
bosques e locais aprazíveis para piqueniques o lado sudoeste é mais agreste, com
vegetação endémica e os vestígios de uma Caldeira, a Cratera de onde o Monte Brasil
nasceu. Algumas peças obsoletas de artilharia coroam um dos vários montes que formam o
monte Brasil, onde, no topo, o Pico das Cruzinhas, se encontra um padrão comemorativo da
descoberta dos Açores e dos Centenários. No Monte Brasil estiveram encarcerados D.
Afonso VI, deposto pelo irmão D. Pedro (1669 a 1674), e o régulo Gungunhana, rei dos
vatuas de Moçambique, que ali acabou por morrer no principio do século.
A
Sé Catedral. Foi
reedificada em aumento da antiga Igreja de S. Salvador de 1486, por mandato do Cardeal D.
Henrique em 1570. Com acesso por ampla escadaria, o frontiscipio e imponente, embora
simples, com duas torres cobertas de azulejos nos coruchéus. Três portadas dão acesso
ao interior, de três naves e tecto esculpido em cedro. A capela-mor é de abobada,
sustida por colunas jonicas. Do lado direito a rica capela do Santíssimo Sacramento, á
esquerda a de S. Pedro, Santo Cristo e Nossa Senhora do Rosário. O Órgão foi oferecido
pela Rainha D. Maria I. Tem um rico recheio de azulejaria, imaginaria, e alfaias em prata
do século XVII. Uma Sacristia com moveis de jacarandá e alfaias em ouro. Uma galeria de
pintura dos prelados.
O
Palácio dos Capitaes-Generais. Antigo e imponente colégio dos Jesuítas, mandado fundar
por D. Sebastião em 1569, foi adaptado a residência dos capitaes-generais a partir da
expulsão dos jesuítas por Pombal. Tem um valioso recheio de mobiliário, pinturas e
peças de arte. A sala com os retratos dos Braganças e até D. Maria II. A Igreja do
Colégio, em fachada de grande imponência, tem sumptuosos retábulos em talha e em pedra
dourada. Boa imaginaria e pintura do século XVII. Notável colecção de azulejos de
Delft.
O
Convento e Igreja de S. Francisco (ou de Nossa Senhora da Guia), é uma belíssima igreja,
toda paramentada de tarjas de cor de brique, é hoje o Museu de Angra com colecções de
armaria, imaginaria (com desta- que para os retábulos quinhentistas de Santa Catarina),
mobiliário, faiança, porcelana, pintura, numismática, instrumentos musicais e vasto
espolio etnográfico. Na Igreja anexa de Nossa senhora da Guia, setecentista, ainda se
podem ver restos do antigo esplendor como retábulos em talha dourada, painéis de
azulejos, imaginaria, tecto em talha dourada, arcaz paramenteiro em jacarandá, fonte em
pedra trabalhada. Esta igreja foi o local da sepultura de Paulo da Gama, ali enterrado na
viagem de regresso da Índia de Vasco da Gama, em 1499. A Igreja da Miseric6rdia. De
grande imponência é de construção setecentista, tendo sofrido alterações no século
XIX. Interior de três naves. Tem boa imaginaria e apurado trabalho de talha nos altares.
Igreja situa-se sobranceira a um pequeno cais de cantaria, o cais da Alfândega, de onde
ascendem duas escadas de pedra que conduzem ao largo da Misericórdia, e ao caminho de
acesso ao Porto das Pipas.
O
Alto da Memória. Obelisco piramidal amarelo e branco recordando a presença de D. Pedro
IV na cidade de Angra e comemorando a vitoria constitucional, erguido no local do antigo
castelo dos Moinhos de Angra, o castelo de S. Cristóvão (século XV-XVI). Oferece uma
soberba panorâmica sobre a cidade.
Castelo
de S. Sebastião. Alcantilado sobre o Porto de Pipas, foi mandado construir por D.
Sebastião. Tem lindos locais de mistério e encanto que se nos oferecem nas suas
catacumbas e passagem subterranias.
Paços do Concelho. Ao fim da antiga rua Direita, e
da sé está a Praça Velha ou da Restauração, onde se encontra com imponência o
Palácio da Câmara Municipal, construído sobre o antigo seiscentista no século passado,
tendo sido a primeira pedra lançada em 11 de Agosto de 1849. No alto da fachada o brasão
da cidade e uma figura, a angra, símbolo da cidade. Salão nobre
amplo e elegantemente decorado. Conserva
a primeira bandeira azul e branca da monarquia, bordada pela rainha
D.
Maria II.
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição. De traça
seiscentista, ostenta feição barroca na fachada e no interior tem apreciáveis trabalhos
em talha dourada. Na sacristia mobiliário da época em pau santo.
A
Igreja de S. Gonçalo. Construída no século XVII, tem valioso recheio de imaginaria e
retábulos em talha dourada nos altares. Azulejos de padrão e pintura da época. Um
Magnifico claustro.
O
Palácio Bettencourt. Edifício seiscentista de grande e elegante fachada, com salas de
tectos requintadamente trabalhados em madeira de cedro, foi da família Bettencourt
Correia e Ávila. E hoje a Biblioteca Publica e o Arquivo Municipal de Angra, reunindo 400
000 livros e dois milhões de manuscritos.
O
Palácio da Madre de Deus. Implantado em terreiro de ampla vista sobre a cidade, e um dos
mais belos edifícios solarengos de Angra, e foi em tempos a Casa do Morgado Vital de
Bettencourt Vasconcelos e Lemos. Nele funciona o departamento do Secretariado e a Casa da
Recepção do Ministro da Republica para os Açores.
Os
Solares e Palácios. São em grande numero as casas senhoriais na cidade, algumas ainda
com os seus antigos graneis que eram edifícios anexos geralmente situado nas traseiras,
para recolha dos cereais das respectivas granjas, quintas ou propriedades. De referenciar
os solares dos Corte-Real, dos Canto, dos Sieuve de Menezes, dos Forjaz. dos Silveira, dos
Bettencourt.
Á
saída da Angra fica a Silveira Magnifica
enseada sobre o mar, bem apetrechada de pontões e de pranchas de mergulho, constitui, á
saída da cidade, um dos locais mais aprazíveis para banhos de mar. S. Carlos e S. Pedro.
São os bairros mais sofisticados e aristocráticos da ilha, no termo da cidade de Angra e
a partir de Silveira. Lindas casas, bonitas e senhoriais em todos os estilos, sombreados
por frondosas quintas, vão surgindo em impressionante sucessão de opulência discreta e
recatada, verdadeiro paradigma e sinónimo da nobreza da ilha.
S.
Mateus da Calheta. Encantador porto piscatório, e a primeira freguesia a que se chega,
saídos de Angra em demanda do oeste. A Igreja de S. Mateus. Sobranceira á baia, é de
imponente estrutura e de construção recente (séculos XIX-XX), embora inclua as imagens
de São Mateus e de Nossa Senhora, executadas pelos Mestres da Sé de Angra (século
XVII).
A
Ermida de Nossa Senhora da Luz. De modesta frontaria possui porem uma imagem flamenga da
Virgem com o Menino, de grande interesse.
O
Forte Grande e Forte do Negrito. São fortificações quinhentistas que ficaram da
resistência há invasão espanhola, traçados de agradável presença impostos em
enseadas dóceis. O Forte do Negrito é hoje uma estancia balnear de grande qualidade.
As
Cinco Ribeiras com o seu casario branco a honrar a descida para a encantadora enseada é
outro concorrido local para banhos de mar, com os rochedos saindo da água interligados
por pontões de cimento oferece uma vista de selvagem beleza.